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Eu me formei, e agora?

Como resolver o dilema profissional dos jovens recém-formados?

Em 2017, mais de 1 milhão de estudantes concluíram o ensino superior, segundo dados do Censo da Educação Superior, realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Entretanto, dentro do contexto social, político e financeiro que o Brasil vive, estes jovens podem enfrentar dificuldades para encontrar seu lugar ao sol.

Aliado ao momento tenso do país, a escolha pelo curso também tem um impacto importante. Segundo dados do Inep, a maioria dos jovens se forma em administração, direito e em computação. Não há tantas vagas para absorver estes profissionais. Outro ponto é que a falta de experiência prática também pode prejudicar na hora da seleção.

Impacto nas emoções
O estresse causado pela pressão da família e pela autocobrança por encontrar um trabalho depois do término da faculdade pode levar alguns jovens a desenvolverem quadros de ansiedade, depressão e abalar a autoestima.

“Tem sido muito comum na prática clínica o atendimento a jovens que estão desorientados sobre o que fazer após a graduação e que não sabem lidar muito bem com a pressão da família, acabam se cobrando demais e podem adoecer”, explica a neuropsicóloga, Ghina Machado, cofundadora da Estar Saúde Mental.

Para orientar os recém-formados, elaboramos, com a ajuda da especialista, algumas dicas que podem contribuir para um melhor direcionamento na vida profissional. Confira.

  1. Escolha certa: Muitos jovens se formam, mas descobrem ao final do curso que não era a área mais adequada para o seu perfil. “Isso é normal e até esperado quando a pessoa precisa escolher uma profissão tão precocemente. Porém, para evitar ficar muitos anos estudando e, protelar assim, uma colocação profissional, o ideal é passar com um psicólogo que possa fazer uma orientação vocacional. Dessa forma, é possível fazer uma escolha mais assertiva, considerando suas habilidades e traços de personalidade. Outra ideia é conversar com bons profissionais das áreas pretendidas para ajudar a perceber se aquela carreira é adequada ou não.
  2. Vivências são fundamentais: Hoje, é comum que muitos jovens só procurem trabalho depois de formados, dependendo do curso. Claro, que há cursos em que os estágios são obrigatórios. “No caso das graduações que não exigem estágios, o ideal é procurar vagas para poder acumular experiência, tudo o que as empresas exigem dos recém-formados. Essas vivências podem ser diversas, porém quanto mais experiência tiver na sua área, melhor para a aprendizagem e absorção no mercado de trabalho. Lembrando que tudo contará como experiência profissional e será importante no momento da seleção”, comenta a especialista.
  3. O que as empresas esperam: Formar-se em uma faculdade tradicional e falar inglês já não bastam para ser contratado. As empresas podem até selecionar pelo currículo, mas o que define a permanência é o comportamento. Para Ghina, entender quais são os comportamentos esperados hoje no mundo corporativo é essencial. Entre as principais competências estão comprometimento, responsabilidade, pró-atividade, bom relacionamento interpessoal e ser multitarefas.
  4. Confiança é tudo: Confiar na própria capacidade é essencial em todas as áreas da vida, inclusive na vida profissional. “A autoestima e a autoconfiança podem ser minadas pelas tentativas frustradas de procurar um trabalho. Por isso, é preciso trabalhar para desenvolver a segurança e a autoestima. Isso pode ser feito com a ajuda de um psicólogo, por exemplo”, explica a Ghina.
  5. Incentivo da família desde cedo: A família precisa ter consciência de que desde a infância há valores que devem ser transmitidos para os filhos. Por exemplo, a criança precisa entender que o trabalho é importante, gratificante e que todo tipo de trabalho é digno. Com isso, o estímulo da família para que o jovem estude, busque experiências na sua área, e desenvolva características como comprometimento e responsabilidade são fundamentais para o sucesso profissional.

“O jovem precisa escolher uma formação adequada ao seu perfil, investir nas experiências práticas, assim como desenvolver sua autoconfiança e habilidades sociais, para que depois de formado possa conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho”, conclui Ghina.

 

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